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ASSOCIAÇÃO DO CAMINHO REAL DA MADEIRA
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0km @ Sé
Começa a caminhada pelo Caminho Real 27, que nos levará à Boaventura, para já com 14 caminheiros.

 

4,5km @ Santo António
À passagem por Santo António encontrámos um descanso em excelentes condições. Estes locais eram utilizados para alívio das costas que carregavam os produtos para serem comercializados na cidade.

13km @ Eira do Serrado
Consumiu-se a manhã e o grupo conquistou com brio a primeira contagem de montanha do dia desde o centro do Funchal até aos 1094m de altitude da Eira do Serrado. Pelo caminho, num percurso sempre a subir numa zona suburbana onde a elevação engrandece as vistas.
Segue-se a descida para o Curral onde o almoço nos espera.

 

16km @ Curral das Freiras
Foi debaixo da torridez do sol que fizemos a descida até ao Curral. É tempo de retemperar energias para a subida mais exigente do #CR27.

20km @ Fajã Escura
Os estômagos vão cheios após um almoço onde a fome foi morta com a temperança de uma espetada com 'semilhas murchas' e maçarocas. Merecido repasto na venda do Sr. Gabriel arrematado com uma ginginha da terra. O seu azulado pinta-se de branco com o véu de nuvens que, vindo do norte, insiste em mergulhar a sul pelas Torrinhas. No resto só a calidez do sol impera polvilhado, a espaços, por bolas de fumo festivo. O som dos foguetes que estalam intervalados ecoa pelo vale do Curral a assinalar o Corpo se Deus que hoje se celebra.
O grupo prepara-se para a prova de fogo, qual expiação, com o galgar a 'escadaria dos 1000 degraus' que nos conduzirá ao Norte por entre ginjeiras ruborizadas de frutos e castanheiros vestidos.

 

25km @ Torrinhas
Prova superada. 
Entraremos na floresta encantada rumo a uma sopa "à antiga" do Norte.

34km @ Falca
Estava noite fechada quando chegamos à mercearia da D. Lúcia e o gigante vale sulcado pela Ribeira do Porco agigantava-se na sobre nós deixando apenas as estrelas a pontificar o firmamento.
As dores multiplicavam pelo corpo de vários caminheiros enquanto processavam a virgindade da floresta Laurissilva na qual acabavamos de ser absorvidos. sopa à antiga, pão caseiro e vinho seco que nos esperava na simplitude de umas adega.
Quem diria que o dia que começou na estátua de Gonçalves Zarco culminaria com este maná na Falca.

 

35km @ Falca
Depois de uma noite bem dormida e um duche de água gelada para despertar o grupo sai à rua para um cenário idílico num dos vales mais genuinos da nossa ilha. Laurissilva, levadas, ruralidade, gente trabalhadora e hospitaleira fazem deste local uma arca de Noé identitária da nossa Madeira, ligada ao mundo pelo #CR27.
A Caminho que o dia é longo.


39km @ Boaventura
Respira-se paz na Boaventura onde o ar puro, o chilrear da passarada e a sonoridade aquosa das aduções à Ribeira do Porco afasta qualquer memória dos gritos do despertador em dia de trabalho. Este vale é mágico. O pequeno almoço no Bar Tijolo marcou o primeiro selo do #CR23 deste Delta Real enquanto no exterior comercializam-se hortofrutículas na carrinha que passa todas as sextas-feiras.
O céu está 'forrado' a proporcionar uma sombrinha que ajudará na transposição da Entrosa que nos enche as vistas mas aquece os radiadores. Está-se bem aqui em São Vicente.


46km @ Ribeira Funda
A escalada do dia de ontem no #CR27 faz desta subida do Arco até à Ribeira Funda, uma das mais exigentes do #CR23, parecer fácil. Um troço lindíssimo onde o caminho mostra a sua resiliência apesar dos golpes a que está sujeito. À nossa chegada ao topo uma senhora octogenária cumpria religiosamente o ritual de se deslocar à beira da Assomada para rezar com a igreja de São José em linha de vista. No centro desta localidade de São Jorge, a fugir à regra das gentes que se espalham na lavoura, uma idosa baloiçava num parque infantil, que escapou à ânsia fiscalizadora da ARAE, ao som de música ligeira portuguesa tocada por uma rádio local.
O grupo hoje reduziu-se para 9 elementos mas mantém-se a boa disposição com a Matilde de 10 anos a dar uma lição de resistência aos adultos. "Rolaremos" até São Jorge para forrar o estômago.

 

54km @ Calhau de São Jorge
O porto de entrada histórico para Santana faz palco à digestão caminhada do pós almoço como prelúdio da última subida do dia.
Sant'Ana aguarda-nos para o final de um dia ligeiro no #CR23.

 

57km @ Santana
Fechámos o segundo dia com um retemperador duche de água quente na Pousada da Juventude onde somos sempre bem recebidos por terras de bragados. Hoje cumprimos o #CR23 em velocidade de cruzeiro, talvez pelas pernas estarem habitadas à bitola dos mais de 1500m das Torrinhas. O percurso mostra-se limpo (infelizmente à custa de glifosato) orlado com hortênsias coloridas em matizados de azul a demonstrar o PH ácido do fértil solo santanense.
O jantar contou com o regresso de dois caminheiros para nos acompanhar desde cedo o regresso ao Funchal pelo #CR24 que cumpriremos amanhã.

 

58km @ Santana
O grupo de caminheiros subiu para 17 no arranque do último dia deste 'Delta Real' que nos levará de Santana ao Funchal pelo #CR24. O dia a Norte amanheceu fresco convidativo a passeios pedestres entre o colorido das flores que nos ladeiam os passos e o viçoso verde doa campos agrícolas.
A caminho

 

63km @ Lombo Galego
No acesso pelo #CR24 à Cova da Roda, um presépio enfurnado num dos lados da estrada, integralmente feito em madeira, cascas e musgos no seu estado natural resiste às vicissitudes do tempo. O #CR24 tem algumas pérolas e este local é uma delas. O trilho empedrado tradicional do Caminho até esta ponte encontra-se camuflado sob um denso manto de erva que desbravámos à nossa passagem.
Valeu a pena. Mágico


70km @ Fajã do Cedro Gordo
"Isto é um pedaço do paraíso." - dizia-nos o comandante Carlos Vidal, nascido no Zaire e proprietário do Moinho baptizado com o título que recebeu ao serviço da TAP. Com 330m de altitude este local nos limites de São Roque do Faial marca o início da subida pelo #CR24 até aos 1412m do Poiso na freguesia da Camacha. As pontes que ligam as margens da Ribeira da Ametade são, todas elas, uma prova de como os antigos aliavam a simplicidade arquitectónica à beleza da construção com matéria prima local como é o basalto. Mudaram-se os tempos, cimentaram-se as vontades de ver este nosso património protegido e preservado.
Depois da subida às Cruzinhas abrir as hostilidades e após um refresco oferecido pelo comandante descolamos na pista #CR24, pavimentada na pedra original, marca identitária dos Caminhos Reais, para um voo até o Cedro Gordo onde nos aguarda no Bar Zeca mais um selo para o nosso passaporte


78km @ Chão Das Feiteiras
Na chegada ao Ribeiro Frio, sebastianicamente, surgiu uma densa neblina, como que se as gotículas aéreas tentassem justificar a exuberância vegetal que por estas bandas abunda. Aqui convivem, numa saudável vizinhança, floresta Laurissilva com viveiros de trutas, turistas com residentes e uma fronteira concelhia entre Santana e Machico delineada pelo curso de água. Poncha, sopa de tomate e bolo do caco contam-se entre as iguarias que saciaram os corpos e apaziguaram os espíritos dos caminheiros que contam com muitos quilómetros nas pernas desde a saída da Sé na passada quinta-feira. A subida até ao Poiso fazia-se com a lassidão dos dias felizes. Devagar e pascientemente, sob a protecção de um deus maior, que ofereceu à Madeira uma inigualável simbiose entre homem e natureza onde apenas as raizes arbóreas disputam o chão com as pedras do caminho. Até que no chão das Feiteiras tropeçamos numa improvável mistura de sol, ovelhas e aeromodelismo.
O Caminho Real é uma caixinha de surpresas.

 

87km @ Terreiro da Luta
Desde o Parque Ecológico do Funchal que mergulhamos num mar de nuvens que oculta a cidade do Funchal e torna o grupo num conjunto de vultos nas brumas. Alguns joelhos começam a reclamar da dura provação física que constitui esta etapa que tornará a descida até ao centro do Monte numa contagem decrescente da Via Sacra a exemplo da existente entre a igreja e a Senhora do Terreiro da Luta.
Noutros tempos, como comprova o polimento das pedras do #CR24 neste local, descia-se de carro de cesto.
Nós, como diriam os amigos nortenhos, vamos a butes..


92km @ Funchal (Sé)
Após três dias e muitos quilómetros nas pernas que nos conduziram por ambientes urbanos, rurais e florestais regressámos à companhia do nosso amigo Zarco. O grupo demonstrou que as dificuldades ultrapassam-se com espírito de entreajuda, companheirismo e resiliência, na certeza de que ninguém ficará para trás. À Cecília, à Leninha, à Carmo, à Zizi, à Sandra, à Matilde, à Rubina, à Dora, à Leonor, à Joana, ao Ricardo, ao Kiki Zeca, ao Zé Luís, ao Tiago, ao João, ao Nélson, ao Roberto, ao Antero, ao Frank, ao Branco, ao Paulo, ao Kiko, ao César, ao Cabral...foi um prazer partilharmos pegadas, sorrisos, dores, surpresas, cãibras, humores e sabores.


MUITO OBRIGADO pela vossa participação nesta valorização deste património centenário que são os Caminhos Reais.
Continuem a colocar os vossos passos na senda do Bom Caminho, sabendo que o Caminho Real da Madeira acompanhá-los-á.

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